segunda-feira, 26 de janeiro de 2009


A casa chega.
Como é habitual, pendura a mala à maçaneta da porta mais próxima e pousa os livros que acabam por desmanchar a cama.
Já com as persianas do quarto fechadas, despe o pensamento como se descalçasse os pés cansados e se desfizesse da roupa que marca mais um dia que a deixa esgotada.


Que lhe pesa.
Que a ofende.
Que a confunde.
Que a perde.


Coloca-o então mesmo ao lado do vestígio mais visível do “gato das botas” como linhas de coco grossas, suaves, generosas mas infindáveis se tratasse .Podiam inventar uma cirurgia que o removesse para quem sofre da dor de pensar, pensava (indeterminadamente, como um piscar de olhos, mais uma vez).
"Descarregadas as cargas" atira-se de olhos fechados para a cama mesmo com o pensamento descansado ao lado das botas imaginando ser um vasto prado respirável e tranquilo. Sente os pés nus, um contra o outro. “Adoro a pequenez do peculiar…sabe tão bem” sorria com vontade de chorar.

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