terça-feira, 20 de janeiro de 2009


Na ponta de uma caneta, sou o poeta, escravo dela,

Sou o beat, eu sou a rima, sou o que a vida me revela,

Tempo que num momento, numa folha que me observa,


Sou as emoções que o dia trás e a noite leva,

Sou eterno em cada linha que adivinha o incerto,

Quando escrevo eu fecho o mundo que eu programo e desperto,

Num verso escuro, como a vida que este povo se queixa,

Eu tento não ver isto, mas esta caneta não deixa,

Faço desenhos de esperança, como a criança que voa,

Enquanto o mundo é inocente, não mente nem magoa,

E o pouco que tem é tudo, mas partilha com o colega,

Que a inocência trás justiça que a ambição ainda não leva,

Rabisco palavras como imagens, e o desejo,

De fazer um quadro perfeito com as imperfeições que vejo,

Sou a tinta que cola, esta folha livremente,

Sou a verdade que a mentira risca para se por à frente,

E vagueio por estas vidas como um mensageiro sem dono,

Com relatos do que vejo, do que sou e do que sonho,

Palavra que repetes em cada estrofe fiel,

Ao que eu sinto, do que vives, do que eu vivo num papel

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