
Na ponta de uma caneta, sou o poeta, escravo dela,
Sou o beat, eu sou a rima, sou o que a vida me revela,
Tempo que num momento, numa folha que me observa,
Sou as emoções que o dia trás e a noite leva,
Sou eterno em cada linha que adivinha o incerto,
Quando escrevo eu fecho o mundo que eu programo e desperto,
Num verso escuro, como a vida que este povo se queixa,
Eu tento não ver isto, mas esta caneta não deixa,
Faço desenhos de esperança, como a criança que voa,
Enquanto o mundo é inocente, não mente nem magoa,
E o pouco que tem é tudo, mas partilha com o colega,
Que a inocência trás justiça que a ambição ainda não leva,
Rabisco palavras como imagens, e o desejo,
De fazer um quadro perfeito com as imperfeições que vejo,
Sou a tinta que cola, esta folha livremente,
Sou a verdade que a mentira risca para se por à frente,
E vagueio por estas vidas como um mensageiro sem dono,
Com relatos do que vejo, do que sou e do que sonho,
Palavra que repetes em cada estrofe fiel,
Ao que eu sinto, do que vives, do que eu vivo num papel
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