terça-feira, 14 de abril de 2009

Um sonho a dois



Hoje acordei levemente levada pelos suspiros da noite. Dois corações incadescentes numa batida melódica ao sabor das quentes xamas incorporavam-se como fénix a arder.
“Apaga uma vela e pede um desejo”, cerrei os olhos fazendo evaporar o desejo da minha vista nas palpebras cegas da alma.Uma após outra iam-se apagando numa constante doce troca de palavras e afectos. “Esta é a ultima, não a apagues”. A musica penetrou os meus ouvidos roubando a virgindade ao coração. Beijaste-me, abraçaste-me e em jogos de loucura, tentaste-me. As taças de xampagne agora já esquecidas na mesa de cabeceira embebedavam os sonhos de quem cego fica por amor. Lucidamente o meu coração perdia a batida melodica da musica, encontrava-se noutra avenida em que os gatos pretos apareciam para miar à lua nos reflexos brandos do mar. Quero-te gritei desesperadamente. Agarraste-me pelo ventre, desfizeste-me a alma de amor. Saboreei os teus desejos e refundidamente dei-te a conhecer a porta para aquela chave… do meu eu mais intimo. Soltei- me em ti, esculpi- te de mim e assim foi o mais belo sonho a dois.

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